quinta-feira, outubro 19, 2006

A Liberdade De Governar

Por vezes somos tentados a pensar que Deus nos reservou os piores para nos tratar do destino. Que o país foi concebido num dia mau e que transporta consigo para todo o sempre o pecado original de ter nascido de uma zanga entre um filho e uma mãe. Isto sucede normalmente nas fases de maior desespero com a política, em que colectivamente parece descrermos de tudo, de nada e de todos.

Raciocinemos: serão os políticos tão más pessoas que nos desejem mal? Não creio. Serão tão insensíveis que desejem errar? Duvido. Serão uma trupe de gente mal formada e mal intencionada que se diverte perversamente com a desgraça alheia? Acho que não.

Então qual é o nosso problema? Eu entendo que o principal problema político do país hoje é que o Governo, qualquer que ele seja e o Primeiro-Ministro, qualquer que ele seja, não têm liberdade para governar. Não têm liberdade para decidir bem. Não têm possibilidade de aplicar determinadas medidas em que durante as campanhas dizem acreditar e defender até aos últimos grãos de convicção que lhes resta.

O problema é que eles sabem-no e mentem ao povo, fazendo crer que podem o que não podem e, muitas vezes propondo o pouco que podem, mas não devem. Quem quiser governar Portugal tem hoje duas barreiras intransponíveis. A primeira é uma Constituição socialista, de inspiração marxista, que não permite mexer no modelo social que suga as finanças públicas de forma absolutamente ineficiente e até, socialmente injusta.

Se um partido ou um político pretender algum dia apresentar um programa político de reforma profunda do Estado, do sistema político e dos sistemas sociais, rapidamente perceberá que a Constituição não o permite. Terá de mudar de agulha, será corrido a mentiroso, e passará à história como mais um igual a tantos outros.

Depois existe outra barreira. Desde a entrada em vigor do Tratado da União Europeia que os Estados deixaram de mandar na sua política económica, monetária e orçamental. Seja qual for a ideologia, o programa, o sonho ou o ideal, a Comissão europeia parece ter um polícia à entrada de São Bento, pronto para multar, castigar e punir quem ousar, por necessidade ou convicção, transpôr as margens estreitas do diktat comunitário.

Os Governos estão condenados, e sabem-no de antemão, a cumprir a política dos outros. Dos que fizeram a Constituição há trinta anos e dos que fizeram o Tratado de Maastricht há quase quinze.

Dir-me-ão: então está a desculpá-los? Não, muito pelo contrário. A responsabilidade dos políticos é saberem disto, assobiarem para o ar, fazerem de conta que nada se passa e, sobretudo, nada fazerem para mudar esta situação castradora da liberdade de decidir e governar. As eleições estão transformadas num desfile de misters. Pior: eles sabem que não podem fazer o que prometem e mesmo assim prometem. Foi por isso que na Hungria o povo, enojado com o actual Primeiro-Ministro, saiu à rua. É por isso que ontem, logo de manhã, no café onde bebo a primeira bica do dia, um cidadão comum, vendo Sócrates na televisão, ditou, seco e cortante a sua sentença: “Não gosto deste gajo! Mentiu ao povo.” Vox populi, vox dei.
(publicado na edição de 20 de Outubro de 2006 do Diário de Aveiro)

Cuidado, Sr. Presidente...

Não seria a primeira vez que as cartas socialistas saíam viciadas em Aveiro.... Ou tenciona remar pela PJ?

quarta-feira, outubro 18, 2006

Cesto Roto

A Camara de Aveiro tomou a decisão de dissolver a sociedade Aveiro Basket. Vêem como basta querer? Mas esta sociedade é o elo mais fraco da despesa. A solução não é certamente deixar os monstrinhos da despesa municipal continuarem a ficar cada vez mais feios, isto é, mais caros.

sexta-feira, outubro 13, 2006

O Dr. Pinho

Muitos se têm revelado surpresos com as declarações de Manuel Pinho, hoje, em Aveiro, decretando o fim da crise. A mim, confesso, não me surpreendem. Tive ocasião de acompanhar o percurso do actual ministro durante a última campanha eleitoral em que fui candidato pela NovaDemocrcacia pelo círculo de Aveiro e Manuel Pinho pelo PS. Percebi duas coisas. Que o senhor está-se literalmente nas tintas para o PS (o que por si só não é pecado) e que é incapaz de trocar o golfe pelo trabalho político. E constatei outra: a sua irreprimível queda para a brincadeira. Perguntado nos alvores da campanha sobre o que sabia de Aveiro, Pinho não hesitou em dizer que se lembrava de ver morrer uma criança ao tentar atravessar a linha do comboio em Espinho. A debates não foi, tal como o deputado fantasma do CDS, então candidato Portas (gente arrogante, perdão, importante, é assim mesmo). Campanha não fez. Fizeram-na os escravos do aparelho que nos salões deve execrar chiquerrimamente. Ideias não tinha porque não precisava, visto que estava ali para ser ministro, o que veio a conseguir graças a Sócrates. Não tarda é condecorado.

Um Ano Triste


No dia 08 de Outubro de 2005 Élio Maia adormeceu com uma certeza: no dia seguinte à mesma hora seria vereador da Câmara Municipal de Aveiro. A urna pregou-lhe uma partida. Fez dele Presidente da Câmara. E deixou-o surpreendido com uma criança nos braços, para a qual não criou músculo nem tinha alimento. Isto é, para a qual não tinha projecto nem equipa. A ideia era que o PS renovaria o mandato na Câmara e a lista da coligação foi feita para se opor nessa eventualidade e não para governar. E, como tal, também não era necessário programa, apenas imaginação para criticar Alberto Souto, o que como se sabe, dado o desvario financeiro, não seria tarefa difícil.

Mas a democracia prega partidas de vez em quando. Este devia ter sido o ano do estado de graça. Mas foi apenas o ano da dança do milhão. A política municipal tem-se resumido a mais milhão menos milhão, como se essa precisão fizesse alguma diferença. A dívida e o passivo municipais são asfixiantes e um ano depois das eleições ainda ninguém sabe quanto é ao certo. Qualquer dia será necessário fazer um pacto de regime municipal para se assentar no valor exacto dessa dívida e desse passivo, para então começar a governar.

Politicamente falando, falta em Aveiro um discurso do estado do município em que o líder do município apresente o seu projecto para o futuro. Porque a verdade é que se a situação era negra à partida, hoje ainda o é mais. Não se vê horizonte, só dívidas. Não se percebe uma estratégia, apenas o imobilismo de quem não estando à espera de ter de governar se tem revelado incapaz de reagir à situação e dar a volta por cima.

A coligação anda às turras, no meio de episódios dignos de filme de série C, e já soma emails clandestinos, demissões, críticas e desavenças intestinas, que mostram bem a natureza política do arranjo que foi feito para fazer a vida negra ao PS, caso este, como todos esperavam, ganhasse as eleições. Com um factor de complicação adicional: a coligação inicial adquiriu um terceiro partido que não estava previsto: o PEM. Não é segredo para ninguém que Élio Maia tem sofrido um bom pedaço com os jogos dos partidos da coligação e que já está pelos cabelos, como se diz em português vernáculo, com alguns dos seus representantes no executivo municipal.
Mais grave: parece que a dívida e o passivo actuais já foram substancialmente acrescentados este ano por despesa clientelar da responsabilidade da coligação.

A tendência dos últimos anos não foi invertida. Aveiro não está na estratégia nacional do turismo, a Ria de Aveiro tem jornadas mas não tem gestão, o concelho está descuidado, e nada, mas mesmo nada é feito, para que no futuro não se volte a passar pelos problemas do presente. Aveiro, concelho do litoral, ameaça tornar-se uma espécie de interior, sem peso económico, cultural e político. Até a Polícia Judiciária, que curiosamente é actualmente dirigida por um aveirense, parece estar de partida.

Aveiro é hoje uma cidade triste. Apesar de ter das melhores Universidades europeias, não tem sabido apanhar o comboio do desenvolvimento. É preciso mudar este estado de coisas. Mas para isso é preciso liderança e programa. Exactamente aquilo que hoje não existe. Este primeiro ano de coligação PSD/CDS/PEM foi um ano triste.

(publicado na edição de hoje do Diário de Aveiro)

quinta-feira, outubro 12, 2006

New Look


O sítio do Diário de Aveiro está mais bonito, legível e funcional. Apenas uma sugestão: acho que devia haver mais conteúdos da edição impressa disponíveis.

Museu Está Quase

"As obras de recuperação da Casa do Major Pessoa, futuro Museu de Arte Nova de Aveiro, entraram já na sua fase de finalização. A garantia foi dada por Élio Maia, presidente da câmara municipal, na sessão de abertura do encontro Arte Nova, Porta para o Futuro que a cidade da ria promove em parceria com os municípios de Riga (Letónia) e Barcelona, até amanhã. Esta corrente arquitectónica passará a ser divulgada num espaço próprio, já a partir de 2007. "
Maria José Santana, no Público de hoje.
Esperemos que não metram a Arte Nova num museu e a tirem da rua.

quarta-feira, outubro 11, 2006

80 Anos De São João Da Madeira



O Concelho de São João da Madeira faz hoje 80 anos. Parabéns. Saiba tudo aqui.

Arte Nova Ameaçada

Aveiro organiza, a partir de hoje, um encontro internacional alusivo a uma corrente arquitectónica que deixou marcas na cidade, a Arte Nova. Os apelos para a salvaguarda de imóveis de interesse esbarram na ausência de apoios para obras de restauro.
Ler mais aqui, no Diário de Notícias.

terça-feira, outubro 10, 2006

A Ler

As Vergonhas de Aveiro, por Susana Barbosa, no Arestália.

Parabéns!

Ao Miguel Araújo, pelo primeiro aniversário do Debaixo dos Arcos.

segunda-feira, outubro 09, 2006

Um Ano

De coligação PSD/CDS/PEM. Balanço na sexta-feira.

domingo, outubro 08, 2006

Escandaloso

A Empresa do Estádio Municipal de Aveiro (EMA) tem uma dívida de seis milhões de euros, relativa ao Imposto Municipal de Imóveis (IMI), de acordo com o vereador Pedro Ferreira, do pelouro das Finanças da Camara de Aveiro. "Não sei quem se lembrou de fazer uma empresa daquela forma", disse o vereador, na última reunião da Assembleia Municipal (AM), acrescentando, na resposta a uma observação de um vogal do PS, que continuam a chegar facturas por pagar e que, ao contrário do que às vezes tem sido dito, "nem toda a dívida é relativa a obra".
Continue a ler no Jornal de Notícias
Eu, por mim, acrescento: não sei como é que não ocorreu a ninguém extinguir a empresa. Esta e as outras que, está provado, só servem para dar ordenados a clientes locais dos partidos sem poiso e disfarçar, esconder, ocultar dívida.

sexta-feira, outubro 06, 2006

06 De Outubro De 1957

Realiza-se o I Congresso Republicano de Aveiro, presidido por António Luís Gomes, ministro do Fomento na I República. O congresso decorre sob a vigilância da PIDE, polícia política da ditadura.

Independencia Nacional

Não conheço nenhum país do mundo, decente, civilizado e evoluído, que não comemore a data da sua independência. Nós podemos até não comemorar a data do nosso aniversário, mas sabemos de cor o dia em que nascemos. Aposto que se perguntassem numa sondagem aos portugueses a data em que Portugal nasceu, as respostas seriam lamentáveis.

Em Portugal não é assim. Ninguém comemora a data em que passámos a ser independentes. Essa data é 5 de Outubro de 1143. Comemora-se nesse dia a implantação da República e comemora-se muito bem. Eu sou republicano, embora não me agrade a forma reumática e quase indiferente como a República é comemorada a 5 de Outubro, com discursos na Praça do Município na varanda do edifício onde ela foi proclamada, romagens ao cemitério do Alto de São João e uma coroa de flores na estátua de António José de Almeida. A República merecia mais e melhor.

Mas só há República porque há Portugal. É extraordinário que nenhum órgão de soberania ponha a independência à frente da República e a comemore. Apesar da recente sondagem do Sol nos dizer que cerca de 30% de portugueses gostariam de ser espanhóis ou que Portugal não existisse, eu, sendo convictamente republicano, sou dos prefiriria viver em Monarquia a ser espanhol.

Que bonito seria ver o Presidente da República comemorar solenemente a independência nacional, que é justamente o que lhe permite sê-lo. Que bonito seria ver o Parlamento comemorar a independência nacional, que é o que lhe permita que exista. E o Governo e as autarquias locais… e o povo em geral.


O Tratado de Zamora foi o resultado da conferência de paz entre Afonso Henriques e o rei Afonso VII de Castela e Leão, a 5 de Outubro de 1143, e constitui a data da independência de Portugal e o início da dinastia afonsina. Vitorioso na batalha de Ourique, em 1139, Afonso Henriques beneficiou da acção desenvolvida, em favor da constituição do novo reino de Portugal pelo arcebispo de Braga, Dom João Peculiar. Este procurou conciliar os dois primeiros e fez com que eles se encontrassem em Zamora nos dias 4 e 5 de Outubro de 1143, com a presença do cardeal Guido de Vico.

A soberania portuguesa, reconhecida por Afonso VII em Zamora, só veio a ser confirmada pelo Papa Alexandre III em 1179, mas o título de Rei de Portugal, que Afonso Henriques usava desde 1140, foi confirmado em Zamora, comprometendo-se então o monarca português, ante o cardeal Guido de Vico, a considerar-se vassalo da Santa Sé, obrigando-se, por si e pelos seus descendentes, ao pagamento de um censo anual.

Em Zamora, revogou-se o anterior Tratado de Tui, de 1137. O Tratado de Tui (ou Tuy), tinha sido celebrado em 1137 entre Afonso VII de Castela e Leão e seu primo, o infante D. Afonso Henriques, como termo das hostilidades, e do qual resta uma notícia em Tui. Segundo parece, D. Afonso Henriques, sabendo que o imperador se encontrava em má posição no conflito com o rei de Navarra, aproveitou a oportunidade favorável para, de acordo com este, entrar com o seu exército na Galiza, tomando Tui, apossando-se de alguns castelos por traição de quem os defendia e causando vários estragos na região. Afonso VII recuperou Tui.

Alguns autores consideram que Afonso Henriques, no prosseguimento da política de independência do seu país, evitou qualquer acto que o levasse à sujeição do primo. Dom Afonso Henriques nunca reconheceu o primo como imperador, e este também não invocou tal facto nas relações com Portugal, mas que o rei de Leão e Castela não renunciava à sua supremacia mostra-o o protesto que dirigiu a Eugénio III por ocasião do Concílio de Reims (1148) sem falar da intransigência com que lutou até ao fim da vida pela primazia eclesiástica de Toledo.

Hoje, face à situação política europeia e mundial, faz cada vez mais sentido abandonar preconceitos ideológicos tacanhos e comemorar a independência nacional. Infelizmente, nenhum político no activo entende assim: um sinal de mediocridade e de falta de sentido da História. Para se ser respeitado, é preciso dar-mo-nos ao respeito. E um país que nem a data do seu nascimento conhece e assinala não se dá certamente ao respeito.

(publicado na edição de hoje do Diário de Aveiro)

quinta-feira, outubro 05, 2006

A Ler

O Dilúvio, por Nelson Peralta, em A Ilusão da Visão.

terça-feira, outubro 03, 2006

Reflexão Do Dia

Quando uma autarquia não respeita os mais elementares direitos dos cidadãos, os mais fáceis de respeitar, como havemos de ter confiança que respeita os outros direitos dos cidadãos, os mais difíceis de respeitar? Em breve darei notícias.

segunda-feira, outubro 02, 2006

Fado

O secretário de Estado do Ambiente, Humberto Rosa, anunciou que só depois de concluída a reorganização dos ministérios deverá ser definida a gestão da ria de Aveiro, no quadro das regiões hidrográficas. Humberto Rosa respondia sexta-feira ao presidente da Câmara de Estarreja, José Eduardo Matos, que salientou a urgência de intervenção na ria de Aveiro e de serem criadas formas que possibilitem a sua recuperação. A cada Governo a sua desculpa. A ria continua adiada. Até quando?

domingo, outubro 01, 2006

A "Obra"

É comum ouvir-se que o PS deixou obra em Aveiro. Pois deixou. E que obra. Um bocado cara talvez, não? (Evitei empregar os vocábulos passivo, dívida, dinheiro, gastar, despesa, regabofe, pilim, caroço, e outras similares, para não ter os socialistas de Aveiro a escrever dicionários de bolso no Diário de Aveiro).

Palavras Para Quê?

Aveiro merece mais e melhor.

sábado, setembro 30, 2006

Batota É (1)

Não fazer nada para resolver o problema da dívida e da despesa na Camara de Aveiro, para ir às próximas eleições com o discurso do passivo.

Inoveight


O João Oliveira dá nota de mais uma prova de dinamismo e excelência da Universidade de Aveiro. Aqui.

Lamber As Feridas

"O valor do passivo da Câmara Municipal de Aveiro é, "no mínimo, de 225 milhões de euros". O número foi avançado pelo próprio presidente da autarquia, Élio Maia, e supera em 45 milhões de euros o montante de dívidas anteriormente divulgado (180 milhões). O líder da maioria eleita pela coligação PSD/CDS-PP escusou-se a adiantar se o apuramento destes valores saiu da auditoria realizada pela Inspecção-Geral de Finanças (IGF) às contas da autarquia, uma questão que não irá comentar enquanto "não sair o relatório final".
Maria José Santana, no Público de hoje.
Lá está. Mais milhão, menos milhão. Mas o que interessa é: que planos tem, Sr. Presidente, para começar a resolver o problema? Vai abrir concurso de ideias ou tem programa? Não é certamente só a cortar nos almoços e nas festas de Natal que vamos lá...

Arouca Merece

Um blogue assim. De autoria de António Jorge Brandão de Pinho. Bom rumo.

sexta-feira, setembro 29, 2006

Chegou A Hora

Os momentos de dificuldade são apropriados para recuperar o tempo perdido. As notícias diárias anunciam cortes de orçamento gerais para todas as instituições públicas. Hospitais, centros de saúde, escolas, Universidades, politécnicos, ministérios, câmaras municipais. É uma boa altura para deixar de navegar à vista e definir rumos.

Nos últimos anos a sociedade portuguesa tem vivido no conforto de saber que se algo correr mal, o Estado, no último segundo, paga. Esses tempos acabaram. O Estado somos nós todos, os cidadãos, as famílias e as empresas que, bem ou mal, criam riqueza. E, no conjunto, não criamos a riqueza necessária para sustentar o nosso modo de vida.

E não criamos essa riqueza porque, apesar de trabalharmos mais horas que os outros (é o que dizem as estatísticas…), trabalhamos mal. À medida que foram aumentando as dificuldades, foram aumentando os diagnósticos. Todos fazem diagnósticos, quando o que o país precisa é de objectivos e de motivação para os alcançar. Curiosamente nos diagnósticos, a culpa é sempre dos outros e nunca dos seus autores.

Na semana passada foi a vez do Compromisso Portugal fazer mais uns quantos diagnósticos. No convento do Beato, em Lisboa, exorcizaram-se fantasmas e fizeram-se liturgias de fé. Esperava eu que o Compromisso começasse pelo princípio. E o princípio é: o que faz cada um de nós nas empresas que gerimos apara aumentar a qualidade, a produtividade e a riqueza? Mas não.

Mais uma vez o diagnóstico e as posologias apontadas foram para os outros, designadamente para o Estado. O Estado, que, repito, somos todos nós. O que é engraçado é que muitos dos responsáveis pela actual situação do Estado estão abrigados no Compromisso Portugal. Antigos ministros das Finanças, da Economia, do Trabalho. Liberais de moda e de última hora. Assistem às sessões e batem palmas. Eles, os mesmos que fizeram exactamente o contrário daquilo que hoje aplaudem. Eles, que quando puderam reduzir a monstruosa despesa pública, a aumentaram. Eles, que quando puderam reduzir o peso do Estado na economia e na sociedade, optaram por fazer exactamente o contrário.

É por isso que considero que o primeiro problema do país neste momento, mesmo sabendo que o dinheiro escasseia para pagar tudo aquilo que nos últimos anos julgámos que podíamos pagar, é de credibilidade. Dos líderes das empresas, dos líderes políticos, dos líderes das instituições. É essa falta de credibilidade que gera a indiferença cívica, este estado de desinteresse em que os portugueses e genericamente o mundo ocidental, vivem. Nada lhes importa, nada os preocupa, nada os motiva. Falta liderança.

É este estado letárgico que justifica a última das cedências. Ultimamente, parece estarmos prontos para abdicar também da liberdade, sob ameaça, sob chantagem e transidos de medo. Voltarei a este ponto.

Aveiro não foge à regra geral e um entre muitos exemplos da postura que acima critiquei. O debate público resume-se a saber se a dívida da Câmara é de milhão a mais ou milhão a menos. E quem meteu mais ou menos milhão na dívida global. O debate deveria ser sobre o que tem de mudar, como vai mudar e quem vai pagar a mudança, para resolver os problemas. Gastar continuamente não é mais possível. E a política, como se costuma dizer, tem horror ao vazio.

(publicado na edição de hoje do Diário de Aveiro)

quarta-feira, setembro 27, 2006

A Ler

Sobre o Teatro Aveirense e a vida cultural de Aveiro, Tábua de Salvação, por Susana Barbosa, no Arestália.

domingo, setembro 24, 2006

Aveiro Antigo (14)


Aveirenses na praia da Barra, em Setembro de 1921 (Album de Carneiro da Silva)

Aveiro Antigo (13)


Visita de ministros a Aveiro, em 04 de Junho de 1922 (Album de Craneiro da Silva)

Aveiro Antigo (12)


Procissão das Cinzas em 1922 (Album de Carneiro da Silva)

Histórias De Aveiro (14)

24 de Setembro de 1873: nasceu o ilustre aveirense Dr. Artur de Carvalho Ravara, médico urologista muito distinto, que foi o decano dos urologistas portugueses (Cemitério Central de Aveiro, data indicada no jazigo) – A.

Histórias De Aveiro (13)

24 de Setembro de 1740: no braço da ria que vai de Aveiro para Ovar, afundou-se uma bateira, tendo morrido afogadas diversas pessoas, entre elas o Padre Fernando Álvares Gião, de Montemor-o-Novo (Rangel de Quadros, Aveiro – Apontamentos Históricos, I, fl. 149) – A.

Histórias De Aveiro (12)

24 de Setembro de 1586: El-Rei D. Filipe I de Portugal concedeu às religiosas do Mosteiro de Jesus a mercê de terem um carniceiro privativo, que lhes cortasse a carne de que houvessem mister «pelos preços por que se corta no açougue geral» da vila (Arquivo da Universidade de Coimbra, Convento de Jesus de Aveiro, Tomo 79, fls. 10r-11r) – A.

Index

Lista de municípios que excederam os limites de endividamento propostos pelo Governo:

Municípios
Percentagem utilizada do limite proposto

ALPIARÇA
157%
AMARES
171%
ANSIÃO
112%
ARMAMAR
170%
AVEIRO
216%
BARREIRO
117%
CALHETA (SÃO JORGE)
196%
CARRAZEDA DE ANSIÃES
169%
CASTANHEIRA DE PÊRA
181%
CASTELO DE PAIVA
195%
CELORICO DA BEIRA
181%
CHAMUSCA
109%
CONDEIXA-A-NOVA
108%
COVILHÃ
227%
ESPINHO
101%
FARO
101%
FIGUEIRA DA FOZ
147%
FORNOS DE ALGODRES
137%
FUNDÃO
168%
GOUVEIA
161%
GUARDA
136%
LAJES DAS FLORES
205%
LISBOA
158%
MACHICO
198%
MAIA
180%
MANTEIGAS
120%
MARCO DE CANAVESES
267%
MESÃO FRIO
104%
MOIMENTA DA BEIRA
104%
MONÇÃO
124%
MONCHIQUE
117%
MONDIM DE BASTO
175%
MONTEMOR-O-VELHO
173%
MOURÃO
177%
MURÇA
120%
NAZARÉ
107%
ODIVELAS
157%
OLIVEIRA DE AZEMÉIS
133%
OLIVEIRA DE FRADES
107%
OURÉM
110%
OURIQUE
178%
OVAR
101%
PAREDES DE COURA
122%
PORTALEGRE
115%
PORTO MONIZ
113%
POVOAÇÃO
107%
REGUENGOS DE MONSARAZ
119%
RIBEIRA GRANDE
116%
RIO MAIOR
125%
SANTA COMBA DÃO
150%
SANTARÉM
159%
SÃO PEDRO DO SUL
194%
SÁTÃO
127%
SEIA
164%
SEIXAL
121%
SESIMBRA
130%
SETÚBAL
131%
SINES
192%
SOURE
112%
TAROUCA
102%
TORRE DE MONCORVO
114%
TORRES NOVAS
144%
TRANCOSO
124%
VALE DE CAMBRA
185%
VELAS
180%
VILA DA PRAIA DA VITÓRIA
131%
VILA DO CONDE
164%
VILA FRANCA DO CAMPO
194%
VILA NOVA DE POIARES
172%
VOUZELA
147%

sábado, setembro 23, 2006

Subscrevo

"Local ou central, o Estado é o mesmo. O dinheiro vem sempre dos mesmos bolsos dos mesmos contribuintes. Mas as autarquias comportam-se muitas vezes como se vivessem num limbo, com um pé dentro do Estado e outro fora."
Paulo Ferreira, no Público

sexta-feira, setembro 22, 2006

Os Obreiros Da Ruína

Para um socialista nenhuma dívida, por mais alta que seja, é trágica. Porque na sua cabeça as dívidas pagam-nas os outros. Nunca eles. Sobretudo, como se costuma dizer no autárquiquês (uma espécie de eduquês dos autarcas), se essa dívida foi contraída para deixar “obra”. Isto significa, em português comum, caseiro e familiar, que o autarca viveu acima das possibilidades e gastou o que não tinha e não devia.

A “obra” justifica tudo. Justifica que uma autarquia não pague a quem devia quando devia, coisa vedada a qualquer cidadão desgraçado que se lembre de não pagar qualquer coisa à autarquia a tempo e horas. Justifica que a autarquia peça emprestado para financiar a “obra”. Justifica que a autarquia venda à banca o dinheiro que há-de receber um dia, antecipando aquilo que não tem ainda. O autarca pensa sempre que se encher o olho ao eleitorado com “obra”, o resto é secundário e a reeleição está assegurada. Daí a insensibilidade ao desvario do gasto. A bem da “obra”, isto é, da reeleição.
Pois é. O problema é que nem sempre funciona este círculo infernal. Aveiro é um exemplo. Ainda esta semana, aos microfones da Aveiro FM, o socialista Raul Martins lá recordou, que a dívida da autarquia foi contraída para possibilitar um «salto qualitativo» no concelho. Só a construção do novo estádio custou 55 milhões de euros, lembrando a unanimidade com que toda a gente abrilhantou esta parcela da dívida. Raul Martins, apesar de continuar a justificar a dívida municipal com a “obra”, sabe bem que nem sempre a “obra” é tudo. O PS deixou “obra”, mas foi derrotado nas urnas pelo eleitor ingrato e aparentemente ceguinho (não viu a “obra”). O problema é que este raciocínio contaminou todos os partidos que obtiveram alvará nos idos de 1975 junto do MFA. No fundo, todos têm Ibsen à cabeceira.

Há uma peça fundamental de Henrik Ibsen, chamada «O Inimigo do Povo». É a história de um homem que diz a verdade. Só a verdade. Uma verdade que contrariava interesses instalados e ideias feitas. Por dizer a verdade caluniaram-no de O Inimigo do Povo. Foi quase exterminado fisicamente. Um dia a população em peso, com a irracionalidade própria das multidões, correu a apedrejar a sua casa.

Se o mote de Ibsen fosse tomado a contrario, os autarcas obreiros seriam «os amigos do povo». Mas não. As multidões são tramadas; não se satisfazem com nada nem com ninguém. O homem de Ibsen foi maltratado por dizer a verdade. O teatro percebe bem de política. E há quem esteja disposto a levar esse teatro ao limite do absurdo.

No mesmo programa de rádio, Gilberto Ferreira, militante do PSD e administrador da empresa municipal Parque Desportivo de Aveiro, defendeu a realização de auditorias às contas da Câmara «de quatro em quatro anos». «Sempre que houver eleições, seja qual for o executivo». Como se as contas públicas fossem sistematicamente de desconfiar, como se os eleitos fossem por princípio e fatalidade democrática, gente sem escrúpulo nem confiança financeira. Para este gestor municipal até o actual Executivo municipal se inclui no grupo, já que defende uma auditoria no final do actual mandato (às vezes o teatro revela-se preverso…).

Por estes dias, na longínqua Hungria, ocorre uma revolta popular contra o Primeiro-Ministro que ganhou as eleições com certas promessas e governa a fazer o contrário. Olha se o exemplo pega! Imaginem só se o inimigo do povo de Ibsen vira, afinal, o mentiroso. As bolhas são assim, vão crescendo sem ninguém se dar conta e um dia rebentam e aí é tarde para concertações e torna-se necessária a ruptura.

Em Aveiro a festa foi bonita, pá, pois foi, pá, mas a factura está aí e a penúria também. Da dívida, já se suspeitava. O que não se imaginava era tanta inépcia para a estancar e para a diminuir.

(publicado na edição de hoje do Diário de Aveiro)

quinta-feira, setembro 21, 2006

À Espera De Outro Milagre?


Desde 13 de Maio (dia de aparições) que o blogue de Élio Maia não é actualizado. Estará o apoquentado edil à espera do 13 de Outubro? Ou que aconteça um milagre das rosas (não é piada ao PS) que faça jorrar os pães pelas depauperadas finanças municipais?

Aveiro Tem Novo Bispo



D. António Francisco dos Santos é o novo bispo da Diocese de Aveiro, sucedendo a D. António Marcelino, por decisão do Papa Bent o XVI, anunciou hoje o Vaticano. D. António Marcelino, que hoje completa 76 anos de idade e comemora o 31º aniversário da sua ordenação episcopal, vai continuar a dirigir a Diocese de Aveiro como Administrador Apostólico até à entrada solene de D. António Francisco na Diocese, que deverá ocorrer a 08 de Dezembro. Bento XVI aceitou a renúncia do governo pastoral da Diocese de Aveiro, apresentada por D. António Marcelino em conformidade com o Direito Canónico, dado ter completado o limite de idade (75 anos).

O novo Bispo de Aveiro, D. António Francisco dos Santos, era até agora Bispo Auxiliar de Braga, cargo para que foi nomeado em 2004 pelo Papa João Paulo II. O novo Bispo de Aveiro é natural da Freguesia e Paróquia de Tendais, Concelho de Cinfães, Diocese de Lamego, onde nasceu a 29 de Agosto de 1948. Foi ordenado sacerdote pelo Arcebispo D. António de Castro Xavier Monteiro, na Catedral de Lamego, a 08 de Dezembro de 1972.

Concluiu a Licenciatura de Filosofia na Faculdade de Filosofia do Instituto Católico de Paris, em 1977, e o Mestrado em Filosofia Contemporânea, na mes ma Faculdade, em 1979. A 21 de Dezembro de 2004 foi nomeado Bispo titular de Meinedo e Auxiliar da Arquidiocese de Braga, por João Paulo II, tendo sido ordenado Bispo na Sé d e Lamego, a 19 de Março de 2005.Fonte: Lusa

sexta-feira, setembro 15, 2006

A Visita Surpresa Na Festa Do Avante

Ingrid Betancourt Pulecio nasceu em Bogotá, na Colômbia, no dia de Natal de 1961, é casada e tem dois filhos. Em 2001 decidiu candidatar-se à Presidência da República do seu país e foi raptada pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia em 2002. As FARC são uma organização classificada pela União Europeia como terrorista. As FARC financiam-se através de extorsão, roubo, tráfico de droga e tem sequestradas mais de 3.000 pessoas, entre as quais a candidata à Presidência da Colômbia. Entre outras actividades, realizam atentados de que resulta a morte de muitos civis. São amigos do Partido Comunista Português, que decidiu convidá-las para a Festa do Avante, na Quinta da Atalaia, por intermédio da revista Resistência, seu órgão oficial.

Primeira nota: o PCP diz que não convidou as FARC, mas apenas o órgão oficial das FARC. O argumento é ridículo e hipócrita. Convidar o Avante é convidar o PCP, de que é órgão oficial e cujos directores são membros do partido. Mais, foram as FARC e não a revista que decidiram publicar um comunicado a responder aos protestos que em Portugal se geraram com tão funesta parceria.

Segunda nota: muitos julgavam que o PCP tinha mudado. Perante a evidência democrática, depois da derrota da previsão feita por Álvaro Cunhal a Oriana Fallaci, de que nunca haveria democracia burguesa em Portugal, com eleições, pluralismo e liberdade, só maçadas, e depois do desmoronamento do totalitarismo soviético, o PCP ter-se-ia convertido aos mínimos civilizacionais. Falso. Adoptou a máscara da necessidade, para sobreviver. Mas não mudou a essência. Cá para dentro faz voz mansa. Lá para fora, faz daquilo que sempre foi: um partido com uma concepção totalitária do poder, que anda rodeado das piores companhias.

A Festa estava montada. Desta vez havia Very Important People e tudo para assegurar directos e abrilhantar a Festa. Com um bocado de sorte, Jerónimo de Sousa apareceria nas capas da Caras, da Lux e da VIP, com Marcelo Rebelo de Sousa, Luís Filipe Vieira e Luís Filipe Meneses. Afinal, os comunistas também gostam do social e acham que da mesma maneira que há uns anos foi chique em Cascais votar em José Luís Judas, a simpatia do seu actual líder fará esquecer o passado e porá o PCP na moda. O que não estava no programa era que alguém estivesse de atalaia e denunciasse esta relação política inaceitável entre os comunistas e as FARC.

Mas a verdade é que a Festa ia ter uma visita que não estava no programa: era a visita surpresa. Ninguém esperava que Ingrid Betancourt Pulecio, raptada há quatro anos pelas FARC e de que ninguém sabe onde e como está, visitasse inopinadamente a Festa do Avante. Em espírito, claro. Por denúncia e exclusiva responsabilidade de vários blogues gerou-se uma onda de indignação pela presença desta organização terrorista em Portugal.

Terceira nota: atacar as FARC não é defender Uribe, da mesma maneira que atacar Bin Laden não é defender o poder saudita. Não colhe por isso o argumento de contra-propaganda que os comunistas, apanhados de surpresa, na sua antiga especialidade (a intoxicação propagandística) se apressaram a esgrimir.

Quarta nota: a comunicação social está longe da perfeição. Todos o sabemos. Mas mais uma vez se revelou a duplicidade de critérios editoriais, que é preciso denunciar. Imaginem que um partido de extrema-direita português convidava um jornal ou uma organização nazi europeia para vir a uma festa em Portugal. Nem quero imaginar. O Bloco desfilaria. O SOS Racismo espernearia, os jornais escreveriam editoriais, as televisões fariam debates sobre o avanço do extremismo na Europa, alguém no Parlamento chamaria António Costa e José Sócrates a dar explicações.

Ainda recentemente assistimos à onda de justa indignação que perpassou pela opinião pública quando Gunther Grass admitiu, sessenta anos depois, ter pertencido às SS, num momento em que estava para sair o seu livro autobiográfico que, entretanto, já vendeu milhares. Alguém se enerva com o passado saneador, anti-democrático e de cumplicidade com os regimes totalitários soviético ou cubano, de Saramago?

Com as FARC, nada. Ninguém sabe, nem ninguém até agora explicou como foi possível esses terroristas entrarem em Portugal, se foram ou não vigiadas as suas actividades pelas forças de segurança, da mesma forma que a GNR vigia os militantes do PNR que andam a distribuir panfletos nas escolas. O Governo assobia para o lado, para a comunicação social, salvo honrosas excepções, o assunto nem existiu e todos aguardamos o próximo escândalo que for agendado pelo jornalismo de referência. E esta, é a última (talvez devesse ser a primeira) nota. A indiferença er o silêncio do país institucional que envia tropa para a Bósnia, para o Afeganistão, para o Líbano, mas que nem se incomoda quando o terrorismo nos visita.

Marcelo Rebelo de Sousa voltará para o ano à Festa do Avante?

(publicado na edição de hoje do Diário de Aveiro)

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terça-feira, setembro 12, 2006

A Ler

Pirâmides Em Extinção, por Susana Barbosa, no Arestália.

Enigma Decifrado

Está explicado por que é que o candidato a deputado do PS por Aveiro e hoje ministro, Manuel Pinho, nunca se preocupa com os seus eleitores. Passa tão depressa na auto-estrada que não tem tempo para ver a placa.

domingo, setembro 10, 2006

Pesquicídio

Os pescadores já não dizem aos filhos para seguirem a actividade, segundo o presidente do PND, para quem isto é «algo de novo», representando um «corte brutal». A nível comunitário disse que o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, podia fazer «muito mais» pelas pescas.

O presidente do Partido da Nova Democracia, Manuel Monteiro, atribui ao presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, parte da responsabilidade pela crise das pescas em Portugal. A «diminuição das quotas de pesca e o abandono da actividade» são factores apontados pelo líder do PND, que resumindo disse que «o que se está a passar é um crime».
Tudo isto num país cuja frota nacional apenas «suporta um terço das necessidade de consumo», embora com forte tradição na actividade, e o facto de ser o maior consumidor de peixe entre os membros da União Europeia.

Antes de entrar ontem em Aveiro, no cais do Canal Central, a bordo do moliceiro que o levaria pela Ria até uma marinha de sal para almoçar, recordou que Durão Barroso «disse que ia para a Comissão Europeia para ser útil para a Portugal». Manuel Monteiro conclui que o social-democrata, afinal, «podia fazer muito mais». E «se não provar o contrário, foi para a Comissão Europeia para ser útil para si próprio».

De resto, para o presidente do PND, Durão Barroso «está a fazer contas para ser Presidente da República, daqui a uns anos».

Manuel Monteiro também se referiu aos armadores de pesca dizendo que «muitos deles estão à espera do dinheiro para abater navios».

Nos encontros com pescadores e regulares viagens em embarcações que tem feito, Manuel Monteiro apercebeu-se que está a acontecer «algo de novo». A comunidade piscatória «é cada vez mais idosa e os pais estão a aconselhar os filhos a não seguir a carreira», diz o líder partidário que classifica esta nova atitude como um «corte brutal muito preocupante na tradição económica e familiar».

Para Manuel Monteiro, «defender a pesca é defender um modo de vida e uma actividade económica», recordando que esta prática tem relações a montante e a jusante como a construção e reparação de embarcação, fábricas de redes e outros apetrechos, indústria de conservas, envolvendo «centenas de milhares de pessoas».

Entretanto, o PND prepara um dossier a apresentar na Comissão Europeia «com propostas alternativas sobre as pescas».

sexta-feira, setembro 08, 2006

Antes, Na Ria


Amanhã, sábado, às 12 horas, Manuel Monteiro, acompanhado por Susana Barbosa, Jorge Ferreira e outros dirigentes e militantes da NovaDemocracia participará num almoço nas Marinhas, onde será recebido na "Marinha da Passagem", a convite do seu proprietário, Sr. rafael Pereira Simões. A partida num Barco Moliceiro é ao meio-dia, em frente à Rota da Luz.

Amanhã, Em Vera Cruz

Amanhã, sábado, dia 9, em Aveiro, pelas 16h30, Manuel Monteiro fará uma reunião alargada, com os Coordenadores Nacionais da Nova Democracia na Junta de Freguesia da Vera Cruz.À margem da reunião o Presidente do Partido prestará declarações à Comunicação Social relativamente ao Congresso da Nova Democracia, agendado para os próximos dias 04 e 05 de Novembro, em Lisboa, bem como os contactos que iniciou para os futuros Órgãos Nacionais do Partido.

O Estado Da Direita Moderna

Depois de, no artigo da semana passada, ter exposto a necessidade de uma direita moderna e popular para Portugal, é necessário explicar para quê. Para mudar o Estado. E por que é necessário mudar o Estado? Porque o actual modelo de funções, logística e financiamento do Estado está falido e esgotado. Isto é, já não é possível continuar a viver a ilusão que o Estado resolve todos os nossos problemas, porque não resolve e o tentar resolver agrava alguns e cria outros.

A necessidade contínua de cada vez maior financiamento deste modelo tem conduzido à asfixia da produção, dos cidadãos, das famílias e das empresas. E tem produzido enormes injustiças sociais, em que cada vez mais pessoas pagam bens e serviços que o Estado inventou que tem de produzir e prestar para cada vez menos pessoas. O método do pagamento por todos daquilo que apenas alguns consomem é ruinoso e conduz à falência geral.

O novo Estado tem de assentar por isso num novo contrato social, resultante naturalmente de um compromisso eleitoral entre a direita moderna e popular e os cidadãos. A primeira coisa a fazer é, pois, definir as funções prioritárias do Estado, que deverão ser as funções de soberania que viabilizam e existência independente da Nação.

Ao Estado competem dois grupos diferenciados de funções: as funções soberanas e as funções reguladoras e supletivas. As funções soberanas. São as que envolvem o exercício do poder delegado pela comunidade: Justiça, Segurança, Defesa e Política Externa. A estas, que são as tradicionais, acrescentamos a de Ordenamento Territorial, que integra quer a gestão do recurso escasso que é o património comum da Nação, constituído pelo conjunto dos acervos urbanístico, paisagístico e ambiental, quer a dinamização de uma política de competitividade das cidades e de eficaz utilização dos recursos naturais.

As funções reguladoras e supletivas são as chamadas funções sociais, no modelo do Estado Social. Cobrem a Cultura, a Educação, a Saúde e a Segurança Social. Devem tender para um estatuto de mera residualidade, caso seja seguido o princípio da subsidariedade nas relações entre o Estado e a sociedade civil, ou seja, serão exclusivamente assumidas quando a sociedade civil não manifestar interesse na sua prestação. Mesmo na esfera das funções soberanas, os sectores transferíveis deverão sê-lo sem qualquer hesitação. Ao Estado não compete dar ou retirar, mas arbitrar.

(publicado na edição de hoje do Diário de Aveiro)

quarta-feira, setembro 06, 2006

Memória

Arte Nova

O movimento artístico Arte Nova vai ser estudado num encontro organizado pelos municípios de Aveiro, Riga e Barcelona, a decorrer de 11 a 13 de Outubro na cidade da ria. O encontro, denominado Arte Nova: Uma porta para o futuro tem como principal finalidade "estudar o movimento e analisar o potencial dessa corrente artística em termos de turismo, preservação e desenvolvimento urbano sustentável", refere uma nota da autarquia aveirense. A iniciativa conjunta de Aveiro, Riga (capital da Letónia) e Barcelona tem como objectivos preservar, estudar e promover a Arte Nova enquanto elemento comum às três cidades. Durante três dias vão ser discutidas no Centro de Congressos de Aveiro políticas a desenvolver para a salvaguarda do património da Arte Nova e para a optimização de recursos. A partilha de conhecimentos e experiência, o intercâmbio no âmbito da preservação urbanística e a promoção turística são outras vertentes do encontro, que procurará também criar mecanismos de divulgação do património.
Do Público (link indisponível)

terça-feira, setembro 05, 2006

O Manifesto Da Direita Nos Blogues (II)

O Manifesto da Direita que aqui divulguei há dias tem motivado inúmeras análises e comentários. Quem anda na vida da comunicação pública aprende logo de início que tão importantes são os pronunciamentos quanto significativos são os silêncios. Que os há. Para facilitar a navegação aqui fica uma recensão desses comentários e análises, com expresso e antecipado pedido de desculpas por qualquer omissão, que será sempre involuntária.

André Azevedo Alves, em O Insurgente
António Costa Amaral, em A Arte da Fuga
Manuel Azinhal, em O Sexo dos Anjos
Carlos Manuel Castro, no Tugir
Tomás Vasques, no Hoje Há Conquilhas, Amanhã Não Sabemos
Francisco Múrias, em O Povo
João Villalobos, no Corta-Fitas
David Ramos Martins, no E Depois do Mesmo
Abrantes, no Estado Novo
SA, no É A Hora
SA, no É A Hora
JLP, no Small Brother
Carlos Manuel Castro, no Tugir
Carlos Manuel Castro, no Tugir
António Torres, no Faccioso
Francisco Martins, no Touquenemposso
A. J. Brandão de Pinho, no Statu Quo
Manuel Azinhal, em O Sexo dos Anjos
Ti Card, em O.Insecto
Carlos Manuel Castro, no Tugir
Carlos Manuel Castro, no Tugir
Pedro Ferreira, em O Condado
André Azevedo Alves, em O Insurgente
O Jumento, em O Jumento
Fernando Barragão, em A Almondega Reaccionária
Pedro Soares Lourenço, no Arcadia
Bekx, no E-Jetamos
Pedro Soares Lourenço, no Arcadia
Pacheco Pereira, no Abrupto
Francisco Nunes, no Planície Heróica
Francisco Nunes, no Planície Heróica
Orlando Nascimento, no Gonio
Nelson Peralta, em A Ilusão da Visão
RMG, em A Gazeta Lusitana
RMG, em A Gazeta Lusitana
João Gonçalves, no Portugal dos Pequeninos
Susana Barbosa, no Arestália
Rui Albuquerque, no Blasfémias
Tomás Vasques, no Hoje Há Conquilhas, Amanhã Não sabemos
João Carvalho Fernandes, no Fumaças
Manuel Azinhal, em O Sexo dos Anjos
O Jumento, em O Jumento
Diogo Pereira Nunes, no Vicarius Liability
Bruno Alves, no Desesperada Esperança
A. J. Brandão de Pinho, no Satu Quo
José Adelino Maltez, em Sobre O Tempo Que Passa
Rui Paula Matos, no Macroscópio
Rui Costa Pinto, no Mais Actual
JLP, no Small Brother
Carlos Abreu Amorim, no Blasfémias
Francisco José Viegas, em Crónicas de Francisco José Viegas
O Corcunda, em O Pasquim da Reacção
Luís Aguiar Santos, em O Amigo do Povo
Francisco Nunes, no Planície Heróica
Pedro Guedes, no Último Reduto
Ilídio Martins, no Esmaltes e Jóias
Rui Paula Matos, no Macroscópio

domingo, setembro 03, 2006

Noite


Fotografia de Paulo Moreira, no Julius Caeser.

sábado, setembro 02, 2006

A Ler

Élio E A Marina, no Dolo Eventual, por David Afonso.

As Jornadas Da Ria



São este mês e o programa é este.

(Via Dolo Eventual, com foto do blogue de Hugo Lopes)

O Manifesto Da Direita Nos Blogues

O Manifesto da Direita que aqui divulguei há dias tem motivado inúmeras análises e comentários. Quem anda na vida da comunicação pública aprende logo de início que tão importantes são os pronunciamentos quanto significativos são os silêncios. Que os há. Para facilitar a navegação aqui fica uma recensão desses comentários e análises, com expresso e antecipado pedido de desculpas por qualquer omissão, que será sempre involuntária. Esta actualização já inclui o artigo de Pacheco Pereira na edição de ontem da Sábado, que o autor já publicou no Abrupto.

André Azevedo Alves, em O Insurgente
António Costa Amaral, em A Arte da Fuga
Manuel Azinhal, em O Sexo dos Anjos
Carlos Manuel Castro, no Tugir
Tomás Vasques, no Hoje Há Conquilhas, Amanhã Não Sabemos
Francisco Múrias, em O Povo
João Villalobos, no Corta-Fitas
David Ramos Martins, no E Depois do Mesmo
Abrantes, no Estado Novo
SA, no É A Hora
SA, no É A Hora
JLP, no Small Brother
Carlos Manuel Castro, no Tugir
Carlos Manuel Castro, no Tugir
António Torres, no Faccioso
Francisco Martins, no Touquenemposso
A. J. Brandão de Pinho, no Statu Quo
Manuel Azinhal, em O Sexo dos Anjos
Ti Card, em O.Insecto
Carlos Manuel Castro, no Tugir
Carlos Manuel Castro, no Tugir
Pedro Ferreira, em O Condado
André Azevedo Alves, em O Insurgente
O Jumento, em O Jumento
Fernando Barragão, em A Almondega Reaccionária
Pedro Soares Lourenço, no Arcadia
Bekx, no E-Jetamos
Pedro Soares Lourenço, no Arcadia
Pacheco Pereira, no Abrupto
Francisco Nunes, no Planície Heróica
Francisco Nunes, no Planície Heróica
Orlando Nascimento, no Gonio
Nelson Peralta, em A Ilusão da Visão
RMG, em A Gazeta Lusitana
RMG, em A Gazeta Lusitana
João Gonçalves, no Portugal dos Pequeninos
Susana Barbosa, no Arestália
Rui Albuquerque, no Blasfémias
Tomás Vasques, no Hoje Há Conquilhas, Amanhã Não sabemos
João Carvalho Fernandes, no Fumaças
Manuel Azinhal, em O Sexo dos Anjos
Pacheco Pereira e Manuel Monteiro, em O Jumento
Diogo Pereira Nunes, no Vicarius Liability
Bruno Alves, no Desesperada Esperança

sexta-feira, setembro 01, 2006

Esclarecimento

Quer o Miguel, quer o Nuno já se queixaram que não conseguiam deixar comentários na respectiva caixa aqui neste blogue. Fui verificar e de facto algo impedia a respectiva publicação. Tal deveu-se certamemente a inabilidade minha. Julgo que a questão está resolvida. Mas desde já ressalvo que eliminarei os comentários insultuosos para mim ou para terceiros que, em desespero de mediocridade mental, apareçam publicados por aqui. E, esclareça-se desde já, para que não haja equívocos ou más interpretações, que jamais o Nuno ou o Miguel o fizeram. Eles sabem que eu sei que eles sabem que eu sei quem são. Adoptei a medida no Tomarpartido, com inegável vantagem do ponto de vista higiénico. E, além disso, é possível conhecer e identificar os proprietários dos IP's, através das entidades competentes. De resto, publiquem, escrevam e comentem a bel-prazer.

Preciosidades Não Pagam Dívidas


O Almocreve das Petas informa que há preciosidades disponíveis na In-Libris, no Porto.
Monografias*Aveiro*

DIAS (Diamantino).-- MOLICEIROS. [Edição da Comissão Municipal de Turismo de Aveiro. 1971]. 18x20,5 cm. 42-VI págs. B.

Sendo uma breve monografia, este trabalho tem a particularidade de incluir um "Glossário de designações relacionadas com o Barco Moliceiro, sua palamenta e faina da apanha do moliço". Ilustrado com desenhos explicativos e fotografias a cores.
14,00 €

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quinta-feira, agosto 31, 2006

Uma Direita Popular E Moderna

Sempre houve e haverá várias esquerdas e várias direitas. Mas no caso português, existe um momento histórico particularmente relevante na definição da concorrência ideológica e partidária. E esse momento foi aquele em que o MFA passou os alvarás aos partidos no Pacto MFA-Partidos, assinado em 11 de Abril de 1975. Nesse dia a tropa revolucionária disse quem podia e quem não podia fazer política depois de Abril e, consequentemente, quem podia e quem não podia entrar no mercado partidário. Pior, os que receberam a bênção dos quartéis tiveram de se conformar com limites ideológicos socializantes e esquerdizantes, que conduziram o CDS a defender no seu projecto de Constituição em 1975 a construção do socialismo português! Era esta a condição para entrar no clube. E assim chegámos ao século XXI.

Este poder ainda hoje se projecta na sociedade portuguesa, trinta e dois anos depois. Este condicionamento provocou um sistema político coxo. Tudo se tem passado como se o país fosse uma pessoa com uma dúzia de pernas esquerdas de vários matizes e feitios, e uma muleta para se amparar na ausência de contrapeso a tanta perna de um só lado. O CDS fez de direita e o PSD fez de direita do ponto de vista geométrico, não infelizmente do ponto de vista ideológico. Eles têm sido a direita permitida, consentida e autorizada pelos vizires do sultão revolucionário. E dirá o leitor: o que temos nós a ver com isso? Respondo: temos muito.

E temos muito porque neste momento estamos no fim de um tempo e no início de outro. Vivemos um sistema político, económico e social que tem os dias contados. Por muitas discordâncias que tenhamos uns com os outros sobre o que fazer, todos percebemos que está a chegar ao fim uma era cujo projecto essencial era trabalhar cada vez menos, ganhar cada vez mais e exigir quase tudo do Estado. Pelo caminho foram insidiosamente moldadas as direitas convenientes e bem comportadas: as autorizadas. São pessoas, certamente bem intencionadas e cheias de fé que fazem discursos contra a esquerda mas que são alimentadas pela esquerda e por isso, no limite, inofensivas. Sabe-se que na hora H, estarão do lado certo da barricada.

Ora, aqui bate o ponto do futuro: é preciso uma direita moderna, popular e sem complexos de esquerda. Que ponha a política e o Estado ao serviço do Homem e não o Homem ao serviço das mitomanias falidas do Estado social. Que reconheça a Nação como identidade e porta aberta ao Mundo e não como um quarto de dormir cheio de naftalina. Que perceba que o Estado a mais estraga, não resolve. E que o Homem não é naturalmente bom, como cegamente acreditam as esquerdas, nem naturalmente mau, como cegamente crê a velha direita dos salões lisboetas do reviralho alimentado, todavia, pelos orçamentos públicos. Esta é a descrição da situação tal qual a vejo. A resposta que creio necessária, encontrá-la-á o leitor neste espaço de hoje a oito dias.

(publicado na edição de hoje do Diário de Aveiro)

quarta-feira, agosto 30, 2006

Publicidade Assumida


Na loja de mestre Alberto Gomes, a Confeitaria Peixinho, em Aveiro, comem-se os melhores ovos moles de Aveiro.

terça-feira, agosto 29, 2006

Novas Vocações

A EMA, uma empresa municipal de Aveiro cravejadinha de dívidas, optou por uma engenhosa solução para angariar receitas. Decidiu promover espectáculos de strip tease no Estádio que gere e onde joga o Beira-Mar. Cada cavadela, sua minhoca...

domingo, agosto 27, 2006

sexta-feira, agosto 25, 2006

Amanhã


Realiza-se o primeiro comício da NovaDemocracia em Vila Praia de Âncora. Como não podia deixar de ser, Aveiro estrá presente com uma enorme caravana automóvel. Sobre a rentrée no distrito de Aveiro, em breve haverá notícias...

sábado, agosto 19, 2006

Inspiração Para Portugal Sair Da Crise

Da Lusa:
"A aldeia de Urgueira, concelho de Águeda, revive no domingo uma romaria secular cujo ponto alto é a proeza de um homem entrar num forno a 300 graus com uma broa de 70 quilos e sair vivo. Manuel Almeida Farias, da associação etnográfica Os Serranos, disse à Agência Lusa que a Romaria do Milagre d'Urgueira foi recuperada em 1996, depois de mais de cem anos no esquecimento, e desde então leva todos os anos "quatro a cinco mil pessoas" a uma aldeia com apenas doze habitantes.

Sem música "pimba", colunas de som ou palcos, a romaria gira à volta da encenação do "milagre da Urgueira", actuações contínuas de sete grupos folclóricos e gastronomia local. Segundo explicou Almeida Farias, a romaria secular tem origem nas promessas feitas pela família Duarte Reis, que emigrou para o Brasil, pagas com a construção no fim do século XIX de um forno comunitário e da ermida de Nossa Senhora da Guia, na aldeia de Urgueira, concelho de Águeda. Segundo a lenda, num acto "espontâneo e temerário", um homem entrou no forno, onde ardia lenha há vários dias, para depositar uma broa de milho, e saiu vivo. O acto acabou por se fixar como "milagre da Urgueira" na consciência popular e passou a atrair muita gente de outras aldeias à Urgueira no terceiro domingo de Agosto, curiosas para ver o homem entrar no forno e sair vivo.

Em 1904, o cepticismo de alguns em relação ao acto "milagroso" acabou por provocar confrontos que levaram à intervenção da guarda real e à proibição da romaria. Durante mais de cem anos, o "milagre" subsistiu no folclore local e acabou por ser recuperado em 1996 pela associação etnográfica. Desde então, todos os anos um homem entra no forno, que já arde há três dias, protegido do calor apenas com um fato tradicional serrano, de borel, como se fosse passar uma noite ao relento.

"O que guarda do frio guarda do calor", pelo menos na tradição serrana, disse Almeida Farias. Os eleitos para entrar no forno têm sido escolhidos entre os membros da associação e o gesto é visto como "uma prova de coragem, talento e autodomínio" e apesar do risco, voluntários não têm faltado, assegurou. Depois da broa colocada no forno, espera-se "cerca de uma hora e meia" até cozer e o enorme pão é então repartido por toda a gente. Os pedaços de broa cozida no forno da Urgueira são uma espécie de amuleto de boa sorte e aguentam anos sem criar bolor. Apesar da aura "milagreira" da romaria, a resistência do pão aos fungos tem uma explicação natural: "com um forno tão quente, qualquer vestígio de humidade desaparece e o bolor não entra".

A romaria procura recriar um ambiente semelhante ao que se encontraria no final do século XIX, "abolindo palcos e aparelhagens sonoras", com os grupos folclóricos a repartirem-se por três eiras, entre os romeiros, que muitas vezes se juntam às danças e cantares. Também para "resistir à massificação", as "comidas rápidas" ou de roulote não entram na festa, alimentada e regada com produtos tradicionais. Manuel Almeida Farias afirmou que a recuperação da romaria "contribuiu para a inversão da desertificação" da zona, e fez com que "as autarquias começassem a olhar para esta aldeia de outra forma", construindo melhores acessos.

Embora a Urgueira tenha apenas 12 habitantes permanentes, desde 1996, "cerca de vinte casas" que estavam abandonadas foram recuperadas e são utilizadas como segunda habitação. Desde as oito da manhã de Domingo, as broas para venda começam a entrar e a sair do forno até à "proeza" que inspira a romaria se repetir, às 11:30, seguida de missa campal enquanto a broa coze. Durante a tarde come-se, bebe-se, dança-se e coze-se broa até à despedida serrana, com todos os grupos juntos, pelas 17:30."

segunda-feira, agosto 14, 2006

Chamas


O distrito de Aveiro é que mais preocupa os bombeiros neste momento. Muito por culpa do pavoroso incêndio que eclodiu em Cedrim do Vouga e alastrou do concelho de Sever do Vouga a concelhos contíguos. António Costa já reconheceu o falhanço da sua política de prevenção. Falta reconhecer o falhanço da sua política de combate. E, depois, falta mudar a política. Foi um ano perdido! Aproveito para enviar uma palavra amiga de solidariedade a Edgar Jorge, o Presidente da Junta de Cedrim do Vouga, que depois do caso dos frangos, se vê agora a braços com um panorama devastador na sua freguesia.

domingo, agosto 13, 2006

Apenas Mário


Tenho todas as razões para não gostar de Jardel. Ele é um dois grandes responsáveis por quatro ou cinco campeonatos que o Benfica não ganhou. Por culpa própria, o homem desprezou-se a si próprio e desceu aos infernos. Nada de novo. Há exemplos a rodos e até piores. Jaburu morreu sózinho e ignorado, Mané Garrincha acabou a pedinte nas ruas, Vítor Baptista, por cá, foi o que se sabe de droga, crime, prisão e morte. Ontem fui ver a apresentação do Beira-Mar, que decidiu dar a mão ao homem e correu o risco (relativo) de contratar o jogador. É uma oportunidade única para o homem. Do jogador, o que vier é ganho. E vi o esforço da recuperação. Mário está a empenhar-se em voltar a ser um atleta eficaz, como já foi, mas o que é importante é aproveitar a oportunidade para ter uma vida digna.

sexta-feira, agosto 11, 2006

Amanhã


(Com a devida vénia ao Portal do Beira-Mar)

quarta-feira, agosto 09, 2006

Mais Um Crime Na Praia De Esmoriz

Do Público, edição de hoje:
"O mar estava calmo, mas a mancha negra e o mau cheiro não deixaram margens para dúvidas. A barrinha de Esmoriz, Ovar, encontrou-se novamente com o Atlântico, sem qualquer explicação. Houve mais descargas. E a praia acabou ontem por ser interdita a banhos. As bandeiras amarelas e verdes mudaram para vermelho. Em algumas zonas, foram colocadas cordas para impedir que os banhistas molhassem os pés. A bandeira azul da praia poderá estar por um fio, quando, há três anos, cenário idêntico conduziu ao arrear do símbolo de qualidade balnear."
Continuam os crimes ambientais impunes. O que vai fazer o Governo?

terça-feira, agosto 08, 2006

Aveiro Antigo (11)


Aspecto das pontes no centro de Aveiro. A primeira, com grades de ferro, era conhecida por Ponte dos Arcos. A outra, a seguir, era a Ponte das Almas.

Histórias De Aveiro (11)

08 de Agosto de 1864: começou nesta data a construção da estrada de Eixo até à ponte da Rata, em Eirol; os trabalhos terminaram em 17 de Outubro de 1866 (Revista de Obras Públicas e Minas, tomo IV, n.º 45, Setembro de 1873; Arquivo, XXVI, pg. 246, n.º 1) – J.

Histórias de Aveiro (10)

08 de Agosto de 1843: D. Frei António de Santo Ilídio da Fonseca e Silva, bispo eleito e vigário capitular de Aveiro, nesta ocasião governando legalmente a Diocese, separou os lugares meeiros de Eixo e Requeixo, ficando os de São Bento e de Cavadinha para a primeira freguesia e o da Póvoa do Valado para a segunda (Cartório Paroquial de Eixo, Livro do Tombo, fls. 51v-53v) – J.

Histórias de Aveiro (9)

08 de Agosto de 1603: na Junta que o padre geral da Congregação de S. Bento de Portugal fez no Mosteiro de Tibães, foi apresentada uma provisão de El-Rei em que era concedida licença para a edificação de um mosteiro em Aveiro; contudo, surgindo dúvidas sobre o sítio – «vinhas e casas», já compradas – por ser muito próximo da antiga igreja da Vera-Cruz, resolveu-se dilatar a decisão e, em 3 de Maio de 1605, indeferiu-se a pretensão dos aveirenses (Livro dos Capítulos Gerais da Congregação de S. Bento de Portugal, pgs. 221 e 224v; Arquivo, II, pgs. 224-225) – J.

No Portugal Profundo

Viagem pela linha do Vouga, no Arestália.

domingo, agosto 06, 2006

PND De Espinho Quer Requalificação Da Linha Do Norte

No Jornal de Espinho, por Irina Melo
Os militantes espinhenses do Partido Nova Democracia (PND) aproveitaram a visita do seu líder partidário, Manuel Monteiro, ao concelho para defender, publicamente, o prolongamento do túnel ferroviário a sul. Os representantes locais do partido consideram que este equipamento não pode fomentar a exclusão social, mas deve promover o desenvolvimento sustentável.

Manuel Monteiro, presidente do Partido da Nova Democracia (PND), visitou Espinho no passado sábado, no âmbito de uma acção política de sensibilização da população para a existência da nova força partidária e captação de eleitores que permitam a concretização do objectivo delineado para as legislativas de 2009: a eleição de deputados à Assembleia da República. O líder do PND esteve com a imprensa e percorreu, de seguida, a calçada junto à praia, cumprimentan­do quem passava.

Apesar dos parcos resultados que o PND conseguiu no concelho nas legislativas de 2004 (nas autárquicas não foi apresentada lista própria), Manuel Monteiro afirma encarar todos os concelhos do distrito de Aveiro como muito importantes para o PND: “Em Aveiro, há muito eleitorado do CDS e PSD que está desiludido, até porque apesar dos cabeças-de-lista sonantes que os partidos apresentam o distrito tem vindo a perder influencia junto do poder central, como já reconheceu Afonso Candal (do PS)”.

PND De Espinho Defende Prolongamento Do Túnel Ferroviário

No Jornal de Espinho, por Irina Melo
A passagem de Manuel Monteiro por Espinho foi aproveitada por elementos concelhios do PND para a apresentação das suas principais preocupações quanto a assuntos locais. Considerando que o rebaixamento da linha-férrea é uma “obra positiva para Espinho”, Elpídio de Sousa, coordenador concelhio do PND, afirmou ser urgente uma negociação da Câmara com a REFER para que o túnel ferroviário seja estendido a sul.

“Na nossa opinião, Espinho só pode crescer para sul e esperamos que a Câmara esteja disposta a rever o projecto para prologar o enterramento da linha em toda a superfície urbana da cidade. Não se pode pensar apenas nos equipamentos, é preciso verificar se esses equipamentos permitem a mobilidade das classes sociais, trazendo desenvolvimento sustentável ao concelho”, disse Elpídio de Sousa, referindo-se ao bairro da marinha que coincide com a zona em que a linha vem a superfície.

Quanto à possibilidade de a Refer cancelar a obra, caso a Câmara exija o prolongamento do túnel, o coordenador concelhio da Nova Democracia afirmou que essa questão já deveria ter sido colocada antecipadamente, por exemplo através da canalização das receitas do jogo para aquela infra-estrutura. “José Mota chegou a dizer-me, pessoalmente, que tinha passado noites infinitas sem dormir e gasto muito dinheiro em telefone e deslocações a Lisboa para pressionar o governo e a Refer para a concretização do projecto. O importante agora é fazer o mesmo esforço para o prolongamento do enterramento”, acrescentou.

Monteiro Defende Importância Da Linha Do Norte

No Jornal de Espinho, por Irina Melo
Apesar de não conhecer a fundo a questão do rebaixamento da linha-férrea, Manuel Monteiro afirmou apoiar os militantes do PND espinhenses nesta luta. O presidente do PND aproveitou a ocasião para reafirmar a importância da requalificação da Linha do Norte no desenvolvimento de Portugal. “Até aqui houve uma lógica errada de investimento nas estradas em desfavor da ferrovia, e a melhoria desta e dos portos de mar são dos principais indicadores de desenvolvimento de um país”.

Quanto a questões nacionais, o líder do PND abordou as recentes notícias que dão conta da venda de material militar adquirido, nos últimos anos, em nome da modernização das Forças Armadas e do não cumprimento de contratos firmados com os vendedores desse mesmo equipamento para a compra de produtos a empresas portuguesas, caso denunciado pelo empresário e ex-deputado socialista Henrique Neto.

Numa tentativa de ver esclarecida esta polémica, o PND vai enviar uma carta ao presidente da Assembleia da República, Jaime Gama, pedindo a constituição de uma comissão de inquérito.